sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Eu procurava

Procurava incansavelmente algum jeito de me sentir viva novamente, de me sentir feliz. Mas algo dizia que isso seria impossível...
Impossível... Dependendo do ponto de vista, isso não existe, e pra mim, até um tempo atrás, isso não existia para mim também, mas hoje eu já não posso dizer o mesmo.
As noites passadas sobre o campo de futebol no clube do condomínio, observando as estrelas, se tornavam noites angustiantes agora, sem ele. E assim se tornou a minha vida, angustiante.
É claro que eu deveria ter imaginado, ao menos uma vez, que isso iria acontecer, afinal, não é todo dia que você encontra o amor da sua vida e não é todo dia que você descobre que ele tem dia pra morrer.
Quando sua doença chegou ao auge, resolvemos aproveitar tudo ao máximo, e cada dia, realmente poderia ser o ultimo. E foi exatamente isso que aconteceu.
O dia mais feliz que estive com ele ao meu lado, foi o último, e por incrível que pareça, eu não tenho lamentações.

Voltei então a procurar algo que me deixasse feliz, mesmo que por segundos, e sorri assim que o vi.
Era uma carta, a primeira carta que ele escrevera para mim... Eu a peguei rapidamente, debaixo daquele monte de papel e a apertei forte contra o peito.
Senti a essência dele ali comigo, senti ele ali comigo e sorri lendo o primeiro " Eu te amo " que ele havia escrito para mim. Fechei os olhos e me perdi na fantasia de ter ele para mim, mais uma vez. 

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